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ELDORADO

Aqui está a exploração do homem sobre o homem Faz avalanches e escaladas Sobe essas serras Os homens mergulham nos dejetos Sonhos num mar de tristeza Zacatecas, Potosí, Ouro Preto tudo logo ali Reflete nos olhos dos homens a imortalidade dourada fascínio do brilho traiçoeiro e furtivo Sem maiores utilidades sua beleza é mórbida, brilhos da morte, êxodo de famintos Mas quem és tu, é o suor do sol? E eu sou seu senhor, ou teu servo?

VERDADE DA MONTANHA

Por essas montanhas existem pedras brilhantes douradas, prateadas Valem mais do que a vida daqueles que as procuram São o apoio de um mundo distante Suas solidezas erguem monumentos maravilhas, estruturas gigantes todas muito alheias ao que se passa aqui Por esses lados sobem igrejas prisões e mansões Podes pensar, meu caro amigo que falo de um tempo passado Mas a História é traiçoeira Nos repete como tragédia.

DIALÉTICA DAS MONTANHAS

Montanhas e capistranas, visões e futuro, minhas montanhas, serras tamanhezas, vidas montanhezas, vidas pobrezas não serão apenas suas riquezas serão seu caminho de dor e sofrimento, sou seu vigia do fim e guia do recomeço. Das profundezas da América do Sul emana o reivindicar pujante o fogo eterno da revolução. Por entre essas serras as vozes querem ser ouvidas. Por entre essas Gerais o nascer nos chama, chamado da nova aurora demolidora de cegos. E as montanhas marcam e recordam a nossa dor.

A FOME DA MONTANHA

Acompanha o caminho de seus ancestrais No último dia do mês, Juan sonha É quando seu sonho pode tocar os céus da altura das montanhas Engole um punhado de ervas Esquecer tudo que se passa e se enfia nas veias da montanha abertas pela História Talvez seja hoje o grande dia Assim roda a engrenagem do mundo Cachorreo, é a vida de cachorro Carrega os sonhos num saco de pedras e lama Essas pessoas descartáveis O que fica é o metal penduricalho de alguma moça inebriada por ignorar a montanha devoradora de homens

A FOME DA MONTANHA II

O solo é pobre E demasiadas altas são essas montanhas tirar o quê da terra? Não se come minério O minério é que se alimenta de homens pequenos É a fome da montanha Os homens têm fome de Minas Movimentam o mundo Para capturá-la Mas inatingível é o cume

POEMA DA DEPENDÊNCIA

Señor, hoje levanto a cabeça para denunciar o que há muito vem a me consumir Devo dizer que nosso subdesenvolvimento é o desenvolvimento de vossa terra Declaro señor que o olho do furacão, consumidor de almas americanas, atravessou o continente Nos encontramos ligados como unha e carne Sou o sustentáculo de sua beleza A pobreza dos meus milhões é a riqueza de seus milhares E o seu sorriso esconde a falta de dentes da minha boca Sei que olhando assim como quem olha pra nada pareço livre, igual a outro homem qualquer Mas te digo señor o que o lápis não escreve meu povo sente, e o que não vês é o que meu coração esconde Por isso señor, somos parte da mesma moeda O norte dá o valor e o sul paga o sofrimento Somos pares da mesma dialética, Minha morte depende da sua vida.

MINAS OCULTA

Minas vai além da montanha Além das Gerais Por mais que as Minas Passa os canaviais Minas vai além das dores Ultrapassa as traições Atropela os dissabores E não se basta em aluviões Minas está nas conjurações No silêncio que lidera Em canções enluaradas Pedra angular das federações É a voz da senzala Está na tinta do poeta Cerne dos heróis Clarividência do profeta Liberdade pra sempre Corações mil O novo e o velho Essência do Brasil.