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MINAS AO MAR

Mesmo tão longe sinto o ronco da montanha ao invés de ouvir o ronronar do mar Aquele que sonha é nosso povo dormindo por entre nuvens do sul propagadas ao norte E da espuma das ondas lembro dos minérios da altitude e da opulência litorânea me recordo da pobreza montanheza e da miséria litoral vejo a riqueza mineral Os pulmões de pedra levo na memória tenho marcada na pele a maldição mineira Tenho no adjetivo o que sou o que fui e o que devo mudar das noites cálidas sei as noites frias e da solidão tiro o passado Mais uma vez um montanhêz desmontanhezado, enviesado pelo minério levado ao porto, ao brota-mar

MORALES E A MODERNIZAÇÃO DA BOLÍVIA, Guillermo Almeyra (*)

fev A Bolívia está promovendo três revoluções simultâneas: uma, democrática, descolonizadora, modernizadora; outra, cultural, eliminadora do atraso e da barbárie impostos pelo passado de exploração e submissão, a terceira, social, de conteúdo anticapitalista objetivo. Evo Morales e seu governo conduzem as duas primeiras com grande vigor e decisão, mas as formas e o conteúdo da terceira estão ainda indefinidos. Dois casos recentes ilustram as dificuldades que derivam do passado. O primeiro é o do intelectual aymara e ex-ministro Félix Patzi, que passou de candidato, faz pouco, a governador de La Paz , e que acaba de integrar a oposição e tentar formar seu próprio partido camponês sobre bases racistas (fala que os ministros brancos o perseguem). O outro é o da negativa do Estado Maior das forças armadas em proporcionar à Justiça os documentos sobre a ditadura e os desaparecimentos e torturas. Analisemos esses casos. O governo, por vias legais, havia declarado que dirigir em estado de emb...

A MONTANHA DE PRATA (parte I)

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“Soy el rico Potosí Del mundo soy el tesoro Soy el Rey de los montes Envidia soy de los reyes” “No había riqueza sin minas, ni minas sin índios” Marques de Castelfuerte “A economia colonial latino-americana dispôs da maior concentração de força de trabalho até então conhecida, para possibilitar a maior concentração de riqueza que jamais possuiu qualquer civilização na história mundial. A prata e o ouro da América penetraram como um ácido corrosivo, no dizer de Engels, por todos os poros da sociedade feudal moribunda na Europa; à serviço do nascente mercantilismo capitalista os empresários mineiros converteram os índios e escravos negros em numerosíssimo “proletariado externo” da economia européia”. Eduardo Galeano O blog esteve sem textos novos nos últimos tempos devido à viagem que fiz para a Bolívia. E é sobre uma parte desta viagem que este texto trata. Antes de começar a descrição da experiência vivida e a reflexão inerente a ela devo deixar claro que sou um apaixonado pela Bolívia...

A MONTANHA DE PRATA (parte II)

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Logo ficamos sabendo de um passeio “turístico” que se faz dentro da montanha. Os três viajantes, todos sociólogos, discutimos o assunto para ver a possibilidade de realizarmos o dito passeio. O que nos incomodava era ver os mineros trabalhando como num formigueiro, e nós os observando. Chegamos ao consenso de que faríamos o passeio com a condição de que não sacaríamos fotos do que se passa lá dentro, levaríamos o que víssemos em nossa memória. No dia seguinte partimos para a montanha em uma mini-van junto com um grupo de estudantes universitários bolivianos. Primeiro a van pára em um dos bairros mineros. Lá compramos refrigerantes, os quais seriam requisitados pelos mineros dentro da mina. A pobreza dos bairros mineiros mostra sua face, através da mendicância e falta de estrutura das casas. À medida que se sobe a montanha repara-se nos inúmeros entulhos de pedras e nas inúmeras colorações da montanha. Fomos até quase atingir seu cume. Nosso guia Éric, uma pessoas engajada na luta dos m...

AMOR BOLIVIANO

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Morena do sol andino Índia do altiplano Seus cabelos são terrosos de terra negra boliviana Sua maneira andina se encaixa perfeitamente na cordilheira nevada No seco de seu ambiente O que é traduzido no jeito cálido nos lábios ardentes nas palavras não ditas Pele flamejante num mundo de calmaria Olhos cerrados de alma boliviana O cabelo trançado é a força de sua terra Não se rompe Assim como seu caráter Seu ritmo de morenada anunciado pelas matracas tem o som de séculos de opressão e exploração

O HAITI É AQUI

Transcrevo texto elucidador das raízes deste país que como disse meu amigo Jandira: "parece estar destinado a acabar". O Haiti é igual o Brasil, o Haiti não é igual ao Brasil. Eduardo Galeano: A história do Haiti é a história do racismo na civilização ocidental Atualizado em 19 de janeiro de 2010 às 17:34 Publicado em 19 de janeiro de 2010 às 15:11 por Eduardo Galeano, em Resumen Latinoamericano, via Resistir.info A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto. O vo...

MAIS UM POQUIN?

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DIÁSPORA MINEIRA Desterrado, emigrado, pelas circunstâncias distanciado, auto-exilado e por aqui lembro, sonho, com montanhas austrais tantas vezes lembradas, e por mais que insistam em me fazer chorar, sei que pra lá um dia vou retornar. TREM DA SAUDADE Hoje chorei de saudade ao escutar aquela canção dos dias que vão e das noites que vem. Hoje pensei em meu lugar que me leva aquele trem das pessoas que vão e das saudades que vem. Hoje tentei me levar pra onde irão as saudades acabar e pegar o trem que vem me retornar para as montanhas de Minas.. ODE MINERAL Ponto de nostalgia o passado volta à tona da alma Rufai tambores botocudos duzentos anos de guerra sobre suas cabeças Declamai os poemas poetas conjurados difamados por inconfidentes Viajai a jornada Bahia-Minas trem da lembrança nossa ponta de mar e esperança Lotai os Becos do Mota suas profanidades santas são a contradição do coração brasileiro Brotem Montanhas dos buracos minas Minas... Ressurja nos quilombos, aldeias minerais, ...