“Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?”. Fazer o quê? Como voltar para o sertão de onde saí, se ele já não existe? Será que ainda estou lá, andando por entre montanhas e sorrisos? Nas serras de terra vermelha, minha alma ferrosa se contorce como capim em queimada, estala em labaredas de fogo. O peso do passado aumenta à cada dia e massacra essa alma, envelhecida de tanto caminhar. Ela se mantém suja de poeira, verdade verdadeira. Como escapar à minha condição? Busquei desde o mais tenro momento a solidão, e ela me espreitou em cantos escuros, em vazios momentos, e agora que a encontrei compreendo meu mal necessário. Pelas noites longas, tento afastar meus pensamentos em bares. O trabalho me faz esquecer minha condição, mas o pouco de reflexão que me permito já devasta meu coração. “Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”. Na vastidão de meu coração brota uma folhagem...