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O TEATRO DOS VAMPIROS

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Gostaria de começar este texto ressaltando a importância estratégica do objeto de minha crítica. Os meios legais que temos em nosso sistema político representativo – principamente aqueles que fazem valer os interesses populares - não são irrelevantes. Já são favas contadas que precisamos ocupar todos os espaços políticos disponíveis, obstacularizando, assim, a consecução de demandas que prejudiquem os mais pobres. Largar mão de ocupar estes espaços por não representarem uma ampla transformação social não passa de um ato infantil do esquerdismo. Frisado isso, podemos começar a elucubrar sobre as audiências públicas. Dia 29 de abril, foi realizado uma audiência pública na ALMG organizada pela comissão de direitos humanos, que pretendia tratar do assunto “Mineração e seus impactos sociais”. Por ocasião do casamento de meu amigo Peagá, encontrava-me em Belo Horizonte e pude participar da tal audiência. Simultaneamente vinha sendo realizado o Encontro Mineiro de Movimentos Sociais, incluind...

TODOS PARA A ALEMG- 29/05

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2658654/impactos-sociais-da-mineracao-sao-tema-de-debate-publico http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2655735/denuncia-contra-a-vale-em-casa-branca-motiva-audiencia-publica A sessão na ALEMG começa às 9:00, e não às 14:00 como diz a notícia.

PESO DOS SÉCULOS

É como se andasse por caminhos de terra entre densas brumas em um lugar esquecido Por lá, donde o tempo passou e como se ouvisse o canto oprimido das senzalas de vozes graves Os séculos me observam num olhar fuzilante compreendendo o que somos relutando pelo que seremos Numa fria manhã entre barrancos e cercas na azulada neblina a voz esquecida me chama São lamentos mineiros das montanhas que engoliram homens de dissabores humanos traições e sussuros Num passo lento vejo a escrava-rainha os cônegos e poetas o alferes Esperam que algo aconteça que os redima de seus erros repetido durante séculos por gerações e mais gerações Me encaminho para junto deles até que um dia o sol imponha sua luz sobre a nossa duradoura desgraça Pesados séculos escoram-se em nossos ombros O moderno é antigo A tragédia que se repete em banquetes suntuosos de homens volúveis.

O RESTAURANTE POPULAR DO MARACANÃ

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O termo desenvolvimento é, nos tempos atuais, uma das palavras mais usadas. Tornou-se um desses conceitos guarda-chuva que abrigam inúmeros significados. Vem sendo usado tanto pela direita quanto pela esquerda, pode ser um empreendimento industrial ou algum projeto social, pode ser usado tanto por um tecnocrata do FMI quanto por ambientalistas do Greenpeace. Dessa forma, é utilizado nos mais díspares contextos pelos mais afastados atores sociais. Assim é o que acontece com imensas obras- como hidrelétricas, minas, usinas, plantações- que afetam tantas pessoas em nome de um suposto desenvolvimento. É um desses casos que quero relatar aqui. Desde o começo de 2010, quando cheguei à cidade maravilhosa, frequento o Restaurante Popular do Maracanã. Este restaurante, popularmente chamado de “Restaurante do Garotinho”- na última eleição, o sujeitinho instalou inúmeros outdoors em frente ao restaurante- por ter sido inaugurado durante a gestão do menininho, está localizado dentro do estádio d...

CORAÇÃO NUMEROSO

Carlos Drummond de Andrade Foi no Rio Eu passeava na Avenida quase meia noite. Havia a promessa do mar e bondes tilintavam, abafando o calor que soprava com o vento e o vento vinha de Minas. Meus paralíticos sonhos desgosto de viver (a vida para mim é vontade de morrer) faziam de mim homem-realejo impertubavelmente na Galeria Cruzeiro quente quente e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento mineiro nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com isso. Mas tremia na cidade uma facinação casas compridas autos abertos correndo caminho do mar voluptuosidade do calor mil presentes da vida aos homens indiferentes, que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram. O mar batia em meu peito, já não batia no cais. A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu sou eu a cidade meu amor.

FERRO MORTO

“Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora?”. Fazer o quê? Como voltar para o sertão de onde saí, se ele já não existe? Será que ainda estou lá, andando por entre montanhas e sorrisos? Nas serras de terra vermelha, minha alma ferrosa se contorce como capim em queimada, estala em labaredas de fogo. O peso do passado aumenta à cada dia e massacra essa alma, envelhecida de tanto caminhar. Ela se mantém suja de poeira, verdade verdadeira. Como escapar à minha condição? Busquei desde o mais tenro momento a solidão, e ela me espreitou em cantos escuros, em vazios momentos, e agora que a encontrei compreendo meu mal necessário. Pelas noites longas, tento afastar meus pensamentos em bares. O trabalho me faz esquecer minha condição, mas o pouco de reflexão que me permito já devasta meu coração. “Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”. Na vastidão de meu coração brota uma folhagem...

EUFORIA DEPENDENTE

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A história é sempre movimento, ela está em permanente transformação, isso é, não voltamos às mesmas condições que já existiram um dia. E nós vamos embalados nesse movimento coletivo que nos coage e condiciona, ainda que muitos não percebam. Tal processo pode ser visto hoje em dia em nosso país. Vivemos um momento especial dentro de nossa oprimida história. Devido a uma série de condições econômicas, políticas e sociais, o Brasil volta a deslumbrar a perspectiva do desenvolvimento, é a volta da concepção do “país do futuro”. Este sentimento está traduzido nos números sobre o otimismo nacional em relação eu futuro, no que diz respeito às condições econômicas. Em janeiro, a pesquisa do IPEA atingiu seu maior patamar desde que começou a ser feita. Novos debates surgem trazendo de volta à pauta do dia o nacional-desenvolvimentismo. Essa corrente intelectual-prática esteve à toda tona na industrialização latino-americana da primeira metade do século XX. O fato é que tal otimismo tem, em gra...