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O maior trem do mundo

Carlos Drummond de Andrade O maior trem do mundo Leva minha terra para Alemanha leva a minha terra para o Canadá leva a minha terra para o Japão. O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel engatadas geminadas desembestadas leva o meu tempo, minha infância, minha vida triturada em 163 vagões de minério e destruição. O maior trem do mundo transporta a coisa mínima do mundo meu coração itabirano. Lá vai o maior trem do mundo Vai serpenteando, vai sumindo E um dia, eu sei, não voltará Pois nem terra, nem coração existem mais.

EL CAMINO DEL ORO *

Pablo Neruda Entrad, señor, comprad patria y terreno, habitaciones, bendiciones, ostras, todo se vende aquí donde llegasteis. No hay torre que no caiga en vuestra pólvora, no hay red que no reserve su tesoro. Como somos tan “libres” como el viento, podéis comprar el viento, la cascada, y en la desarrollada celulosa ordenar las impuras opiniones, o recoger amor sin albedrío, destronado en el lino mercenario. El oro se cambió de ropa usando formas de trapo, de papel raído, fríos hilos de lámina invisible, cinturones de dedos enroscados. A la doncella en su nuevo castillo llevó el padre de abierta dentadura el plato de billetes que devoró la bella disputándolo en el suelo a golpes de sonrisa. Al obispo subió la investidura de los siglos del oro, abrió la puerta de los jueces, mantuvo las alfombras, hizo temblar la noche en los burdeles, corrió con los cabellos en el viento. (Yo he vivido la edad en que reinaba. He visto consumida la podredumbre, pirámides de estiércol abrumadas por el hon...

A INFLAÇÃO E A DÍVIDA PÚBLICA

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De Le Monde Diplomatique- por Maria Lúcia Fatorelli É evidente que toda a sociedade apoia o controle da inflação, porém, os instrumentos utilizados pelo Banco Central não estão de fato combatendo a alta de preços, mas se prestam a promover uma brutal transferência de recursos públicos p/ o setor financeiro privado, a elevadíssimo custo, tanto financeiro como social. Em razão da marca negativa deixada pela inflação galopante dos anos 1980 até início dos anos 1990, não foi difícil convencer a população, parlamentares e poderes constituídos de que o país necessitava de um “Regime de Metas de Inflação”. Na realidade, tal regime foi imposto pelo FMI, em ambiente econômico afetado por crises financeiras que abalaram diversas economias no final da década de 1990. A opção do governo brasileiro por recorrer ao Fundo em 1998 abriu caminho para a interferência da instituição em diversos assuntos internos do país, entre eles a exigência de que a definição de metas inflacionárias deveria ser uma da...

O TEATRO DOS VAMPIROS

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Gostaria de começar este texto ressaltando a importância estratégica do objeto de minha crítica. Os meios legais que temos em nosso sistema político representativo – principamente aqueles que fazem valer os interesses populares - não são irrelevantes. Já são favas contadas que precisamos ocupar todos os espaços políticos disponíveis, obstacularizando, assim, a consecução de demandas que prejudiquem os mais pobres. Largar mão de ocupar estes espaços por não representarem uma ampla transformação social não passa de um ato infantil do esquerdismo. Frisado isso, podemos começar a elucubrar sobre as audiências públicas. Dia 29 de abril, foi realizado uma audiência pública na ALMG organizada pela comissão de direitos humanos, que pretendia tratar do assunto “Mineração e seus impactos sociais”. Por ocasião do casamento de meu amigo Peagá, encontrava-me em Belo Horizonte e pude participar da tal audiência. Simultaneamente vinha sendo realizado o Encontro Mineiro de Movimentos Sociais, incluind...

TODOS PARA A ALEMG- 29/05

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2658654/impactos-sociais-da-mineracao-sao-tema-de-debate-publico http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2655735/denuncia-contra-a-vale-em-casa-branca-motiva-audiencia-publica A sessão na ALEMG começa às 9:00, e não às 14:00 como diz a notícia.

PESO DOS SÉCULOS

É como se andasse por caminhos de terra entre densas brumas em um lugar esquecido Por lá, donde o tempo passou e como se ouvisse o canto oprimido das senzalas de vozes graves Os séculos me observam num olhar fuzilante compreendendo o que somos relutando pelo que seremos Numa fria manhã entre barrancos e cercas na azulada neblina a voz esquecida me chama São lamentos mineiros das montanhas que engoliram homens de dissabores humanos traições e sussuros Num passo lento vejo a escrava-rainha os cônegos e poetas o alferes Esperam que algo aconteça que os redima de seus erros repetido durante séculos por gerações e mais gerações Me encaminho para junto deles até que um dia o sol imponha sua luz sobre a nossa duradoura desgraça Pesados séculos escoram-se em nossos ombros O moderno é antigo A tragédia que se repete em banquetes suntuosos de homens volúveis.

O RESTAURANTE POPULAR DO MARACANÃ

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O termo desenvolvimento é, nos tempos atuais, uma das palavras mais usadas. Tornou-se um desses conceitos guarda-chuva que abrigam inúmeros significados. Vem sendo usado tanto pela direita quanto pela esquerda, pode ser um empreendimento industrial ou algum projeto social, pode ser usado tanto por um tecnocrata do FMI quanto por ambientalistas do Greenpeace. Dessa forma, é utilizado nos mais díspares contextos pelos mais afastados atores sociais. Assim é o que acontece com imensas obras- como hidrelétricas, minas, usinas, plantações- que afetam tantas pessoas em nome de um suposto desenvolvimento. É um desses casos que quero relatar aqui. Desde o começo de 2010, quando cheguei à cidade maravilhosa, frequento o Restaurante Popular do Maracanã. Este restaurante, popularmente chamado de “Restaurante do Garotinho”- na última eleição, o sujeitinho instalou inúmeros outdoors em frente ao restaurante- por ter sido inaugurado durante a gestão do menininho, está localizado dentro do estádio d...