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O DESENVOLVIMENTO FRUSTRADO

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Lançado no dia 18 de outubro, o Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS) recebeu amplo destaque nos meios de comunicação de Minas Gerais. O IMRS é uma avaliação na qual são submetidos os municípios mineiros segundo a qualidade e quantidade de suas políticas públicas. Em matéria do dia 19/10/11, o Estado de Minas mostra o ranking dos municípios mineiros na pesquisa dando ênfase para o fato de que, dos 10 municípios melhores colocados no ranking, 8 têm na mineração uma de suas principais atividades econômicas, o que supostamente mostra “uma rota de riquezas minerais que fortalece economias e garante bem-estar para quem por ali escolher viver” . Por outro lado, os 10 piores são municípios do Vale do Jequitinhonha. A pesquisa foi realizada tendo como base 500 indicadores (dimensão grandiosa que não dá automaticamente validade à pesquisa) em 10 segmentos, como saúde, segurança, cultura, etc. Poderia muito bem entrar numa discussão sobre os métodos da pesquisa que levam em conta...

A USP, A CLASSE MÉDIA E A MÍDIA

O fato é que periodicamente a grande mídia pauta o debate nacional em discussões tontas e improdutivas, com abordagens que prejudicam ainda mais o já-frágil assunto, se aproveitando dos grotões conservadores da classe média. O último havia sido o papo do SUS pro Lula e o regozijo calado com a sua doença. Os alunos da Usp não se revoltaram simplesmente pela presença da PM, e sim pela prisão de alguns alunos por posse de maconha. No caso, podemos sugerir outra discussão: a legalização das drogas (ou de algumas delas), que me parece ser a discussão levantada por muitos dos integrantes do movimento. Além do que, é minimamente razoável reconhecer os problemas históricos entre militares e estudantes, e ver que existem um milhão de outras formas de garantir segurança num campus sem necessidade de uma PM. Os estudantes são historicamente um dos setores mais progressistas do país e, sinceramente, não vejo necessidade de criticá-los com essa raiva e ressentimento sem qualquer propósito. Conquist...

AS CHAGAS DO SUBDESENVOLVIMENTO: O ORNITORRINCO

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De tempos em tempos ressurge das cinzas um debate influenciado pelo evolucionismo. Muitos advogam que nos dias de hoje - assim como já o fizeram no passado - a tese de que o Brasil é uma potência mundial, que devido a uma série de fatores somos um “global player”. Eu não sei muito bem o que essa obtusa expressão significa, mas utilizando o meu surrado inglês, diria que o Brasil é um “peripherical player”, pra não dizer “subordinated player”. Como sabemos, durante o século XX, o Brasil passou de uma economia monoprodutora de café, com uma população fundamentalmente rural, para uma economia com variabilidade maior de atividades, passando pela industrialização. Esse processo atingiu seu auge nos anos 60s. O fato é que, já há algum tempo, o Brasil não se encaixa mais no perfil clássico de país subdesenvolvido, isso é, país monoprodutor de matéria-prima e com inserção periférica na economia mundial, pois conta com um robusto parque industrial além de ter certa importância dentro das decisõ...

ANÁLISE DAS ENTREVISTAS COM EX-TRABALHADORES DA MMV

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Saídas e Bandeiras Milton Nascimento e Fernando Brant O que vocês diriam dessa coisa que não dá mais pé? O que vocês fariam pra sair dessa maré? O que era sonho virou terra quem vai ser o primeiro a me responder? O que vocês diriam dessa coisa que não dá mais pé? O que vocês fariam pra sair dessa maré? O que era pedra virou terra quem vai ser o segundo a me responder? AGRADECIMENTOS ESPECIAIS AOS ALUNOS DO DOM CIRILO DE PAULA! Exporei aqui a interpretação qualitativa de diferentes discursos sobre a atividade mineira-exportadora, tendo o município de Raposos como espaço geográfico de análise. Neste contexto, analisei três diferentes discursos sobre a mineração, divididos em duas partes: A primeira parte é a análise do discurso dos ex-trabalhadores da MMV (antiga Mineração Morro Velho e atual Anglo Gold Ashanti), residentes de Raposos. A fonte destes discursos é um trabalho que os alunos da escola Dom Cirilo de Paula Freitas fizeram como parte da disciplina curricular de Sociologia, mini...

O maior trem do mundo

Carlos Drummond de Andrade O maior trem do mundo Leva minha terra para Alemanha leva a minha terra para o Canadá leva a minha terra para o Japão. O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel engatadas geminadas desembestadas leva o meu tempo, minha infância, minha vida triturada em 163 vagões de minério e destruição. O maior trem do mundo transporta a coisa mínima do mundo meu coração itabirano. Lá vai o maior trem do mundo Vai serpenteando, vai sumindo E um dia, eu sei, não voltará Pois nem terra, nem coração existem mais.

EL CAMINO DEL ORO *

Pablo Neruda Entrad, señor, comprad patria y terreno, habitaciones, bendiciones, ostras, todo se vende aquí donde llegasteis. No hay torre que no caiga en vuestra pólvora, no hay red que no reserve su tesoro. Como somos tan “libres” como el viento, podéis comprar el viento, la cascada, y en la desarrollada celulosa ordenar las impuras opiniones, o recoger amor sin albedrío, destronado en el lino mercenario. El oro se cambió de ropa usando formas de trapo, de papel raído, fríos hilos de lámina invisible, cinturones de dedos enroscados. A la doncella en su nuevo castillo llevó el padre de abierta dentadura el plato de billetes que devoró la bella disputándolo en el suelo a golpes de sonrisa. Al obispo subió la investidura de los siglos del oro, abrió la puerta de los jueces, mantuvo las alfombras, hizo temblar la noche en los burdeles, corrió con los cabellos en el viento. (Yo he vivido la edad en que reinaba. He visto consumida la podredumbre, pirámides de estiércol abrumadas por el hon...

A INFLAÇÃO E A DÍVIDA PÚBLICA

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De Le Monde Diplomatique- por Maria Lúcia Fatorelli É evidente que toda a sociedade apoia o controle da inflação, porém, os instrumentos utilizados pelo Banco Central não estão de fato combatendo a alta de preços, mas se prestam a promover uma brutal transferência de recursos públicos p/ o setor financeiro privado, a elevadíssimo custo, tanto financeiro como social. Em razão da marca negativa deixada pela inflação galopante dos anos 1980 até início dos anos 1990, não foi difícil convencer a população, parlamentares e poderes constituídos de que o país necessitava de um “Regime de Metas de Inflação”. Na realidade, tal regime foi imposto pelo FMI, em ambiente econômico afetado por crises financeiras que abalaram diversas economias no final da década de 1990. A opção do governo brasileiro por recorrer ao Fundo em 1998 abriu caminho para a interferência da instituição em diversos assuntos internos do país, entre eles a exigência de que a definição de metas inflacionárias deveria ser uma da...