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MORTE DAS CASAS DE OURO PRETO

Morte das casas de Ouro Preto Carlos Drummond de Andrade Sobre o tempo, sobre a taipa, a chuva escorre. As paredes que viram morrer os homens, que viram fugir o ouro, que viram finar-se o reino, que viram, reviram, viram, já não vêem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro, menos rudes que orgulhosas na sua pobreza branca, azul e rosa e zarcão, ai, pareciam eternas! Não eram. E cai a chuva sobre rótula e portão. Vai-se a rótula crivando como a renda consumida de um vestido funerário. E ruindo se vai a porta. Só a chuva monorrítmica sobre a noite, sobre a história goteja. Morrem as casas. Morrem, severas. É tempo de fatigar-se a matéria por muito servir ao homem, e de o barro dissolver-se. Nem parecia, na serra, que as coisas sempre cambiam de si, em si. Hoje vão-se. O chão começa a chamar as formas estruturadas faz tanto tempo. Convoca-as a serem terra outra vez. Que se incorporem as árvores hoje vigas! Volte o pó a ser pó pelas estradas! A chuva desce, às canadas. Como chove, como ...

MUSEU DA INCONFIDÊNCIA

São palavras no chão E memórias nos autos. As casas inda restam, Os amores, mais não. E restam poucas roupas, Sobrepeliz de pároco E vara de um juiz, Anjos, púrpuras, ecos Macia flor de olvido, Sem aroma governas O tempo ingovernável. Muitos pranteiam. Só. Toda a história é remorso.

OS BENS E O SANGUE

Carlos Drummond de Andrade Os urubus do telhado: E virá a companhia inglesa e por sua vez comprará tudo e por sua vez perderá tudo e tudo volverá a nada e secado o ouro escorrerá ferro, e secos morros de ferro taparão0 o vale sinistro onde não mais haverá privilégios, e se irão os últimos escravos, e virão os primeiros camaradas; e a besta belisa renderá os arrogantes corcéis da monarquia, e a vaca belisa dará leite no curral vazio para o menino doentio, e o menino crescerá sombrio, e os antepassados no cemitério se rirão, se rirão porque os mortos não choram.

O DESENVOLVIMENTO FRUSTRADO

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Lançado no dia 18 de outubro, o Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS) recebeu amplo destaque nos meios de comunicação de Minas Gerais. O IMRS é uma avaliação na qual são submetidos os municípios mineiros segundo a qualidade e quantidade de suas políticas públicas. Em matéria do dia 19/10/11, o Estado de Minas mostra o ranking dos municípios mineiros na pesquisa dando ênfase para o fato de que, dos 10 municípios melhores colocados no ranking, 8 têm na mineração uma de suas principais atividades econômicas, o que supostamente mostra “uma rota de riquezas minerais que fortalece economias e garante bem-estar para quem por ali escolher viver” . Por outro lado, os 10 piores são municípios do Vale do Jequitinhonha. A pesquisa foi realizada tendo como base 500 indicadores (dimensão grandiosa que não dá automaticamente validade à pesquisa) em 10 segmentos, como saúde, segurança, cultura, etc. Poderia muito bem entrar numa discussão sobre os métodos da pesquisa que levam em conta...

A USP, A CLASSE MÉDIA E A MÍDIA

O fato é que periodicamente a grande mídia pauta o debate nacional em discussões tontas e improdutivas, com abordagens que prejudicam ainda mais o já-frágil assunto, se aproveitando dos grotões conservadores da classe média. O último havia sido o papo do SUS pro Lula e o regozijo calado com a sua doença. Os alunos da Usp não se revoltaram simplesmente pela presença da PM, e sim pela prisão de alguns alunos por posse de maconha. No caso, podemos sugerir outra discussão: a legalização das drogas (ou de algumas delas), que me parece ser a discussão levantada por muitos dos integrantes do movimento. Além do que, é minimamente razoável reconhecer os problemas históricos entre militares e estudantes, e ver que existem um milhão de outras formas de garantir segurança num campus sem necessidade de uma PM. Os estudantes são historicamente um dos setores mais progressistas do país e, sinceramente, não vejo necessidade de criticá-los com essa raiva e ressentimento sem qualquer propósito. Conquist...

AS CHAGAS DO SUBDESENVOLVIMENTO: O ORNITORRINCO

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De tempos em tempos ressurge das cinzas um debate influenciado pelo evolucionismo. Muitos advogam que nos dias de hoje - assim como já o fizeram no passado - a tese de que o Brasil é uma potência mundial, que devido a uma série de fatores somos um “global player”. Eu não sei muito bem o que essa obtusa expressão significa, mas utilizando o meu surrado inglês, diria que o Brasil é um “peripherical player”, pra não dizer “subordinated player”. Como sabemos, durante o século XX, o Brasil passou de uma economia monoprodutora de café, com uma população fundamentalmente rural, para uma economia com variabilidade maior de atividades, passando pela industrialização. Esse processo atingiu seu auge nos anos 60s. O fato é que, já há algum tempo, o Brasil não se encaixa mais no perfil clássico de país subdesenvolvido, isso é, país monoprodutor de matéria-prima e com inserção periférica na economia mundial, pois conta com um robusto parque industrial além de ter certa importância dentro das decisõ...

ANÁLISE DAS ENTREVISTAS COM EX-TRABALHADORES DA MMV

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Saídas e Bandeiras Milton Nascimento e Fernando Brant O que vocês diriam dessa coisa que não dá mais pé? O que vocês fariam pra sair dessa maré? O que era sonho virou terra quem vai ser o primeiro a me responder? O que vocês diriam dessa coisa que não dá mais pé? O que vocês fariam pra sair dessa maré? O que era pedra virou terra quem vai ser o segundo a me responder? AGRADECIMENTOS ESPECIAIS AOS ALUNOS DO DOM CIRILO DE PAULA! Exporei aqui a interpretação qualitativa de diferentes discursos sobre a atividade mineira-exportadora, tendo o município de Raposos como espaço geográfico de análise. Neste contexto, analisei três diferentes discursos sobre a mineração, divididos em duas partes: A primeira parte é a análise do discurso dos ex-trabalhadores da MMV (antiga Mineração Morro Velho e atual Anglo Gold Ashanti), residentes de Raposos. A fonte destes discursos é um trabalho que os alunos da escola Dom Cirilo de Paula Freitas fizeram como parte da disciplina curricular de Sociologia, mini...