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PNEUMOCONIOSE E MEMÓRIA: NAS MINAS DE MORRO VELHO

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Imagem: foto da sede da Mina de Morro Velho, no século XIX. À esquerda está a Casa Grande e na direita a Senzala. O Brasil é historicamente um país marcado por fortes contradições. O desenvolvimento do capitalismo brasileiro é um processo que marcadamente gerou grande ônus para a sua população. Caso fosse necessário ressaltar uma única característica da história brasileira para melhor descrever o país, certamente este sociólogo destacaria a predileção por esconder a face mais problemática de sua história, a destruição sistemática e periódica da dignidade de seu povo. Na dicotomia entre a casa grande e a senzala, celebrizada por Giberto Freyre (1989), exalta-se a casa grande e oculta-se a senzala. Num país de contradições tão marcantes, em nome da governabilidade, a elite do país busca caminhos que não tragam a verdade à luz do dia, numa tentativa de manter o processo histórico incólume, intocado, evitando a reflexão e as transformações bruscas que busquem solucionar nossos prob...

CRISE, ALTERNATIVAS E PERSPECTIVAS DO MARXISMO ECOLÓGICO: entrevista com o prof. Elmar Altvater

Para este volume da Revista Intratextos, entrevistamos o professor Elmar Altvater, que está visitando o Brasil para um  ciclo de conferências na UERJ, e nos concedeu uma interessante entrevista acerca de sua obra, a  conjuntura mundial aberta pela crise  econômica em 2008, a situação na América Latina e na  Europa, bem como as possíveis alternativas sistêmicas que se abrem à crise capitalista.  Elmar Altvater é politólogo e catedrático de Economia Política da Universidade Livre de Berlin,  instituição da qual é professor emérito. Além disso, é membro do conselho científico de Attac/Alemanha (Association for the Taxation of Financial Transactions and for Citizens' Action). Altvater publicou vários artigos e livros sobre globalização e crítica ao capitalismo,  tendo como temas de trabalho a teoria do desenvolvimento, crise da dívida, regulação dos mercados, e os efeitos do modo de produção capitalista sobre o meio ambiente. É considerado um...

O IDH, A MINERAÇÃO E SEUS IDEÓLOGOS*

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A definição de desenvolvimento sempre foi palco de debates cerrados. No entanto, parece lugar comum, nos dias de hoje, não mais reconhecê-lo como simples crescimento do PIB ou da  renda  per capita . O bem-estar, a felicidade, a educação, a saúde e a condição humana, são alguns dos novos determinantes nessa discussão. Nos estudos sobre o desenvolvimento humano, o instrumento de mensuração do desenvolvimento mais utilizado é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Seu uso é difundido e legítimo aos olhos da população. Neste texto, não quero discutir pormenorizadamente as características do IDH, mas gostaria de ressaltar, particularmente, os problemas da utilização deste índice para medir o desenvolvimento humano em municípios mineradores. Podemos dizer que o IDH foi essencial para a crítica da concepção que iguala o crescimento econômico ao desenvolvimento humano. O IDH nasce como resposta aos chamados indicadores de primeira geração como o PIB e a renda  p...

O ROYALTY DA MINERAÇÃO E A CAMPANHA “MINÉRIO COM MAIS JUSTIÇA”

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Liderada pelo senador Aécio Neves e pelo governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, foi lançada no dia 25 de junho, em Belo Horizonte, a campanha “Minério com mais justiça”, a favor do aumento do Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) - o royalty da mineração – que na legislação atual vai de 0,2% a 3% do lucro líquido das mineradoras, de acordo com o bem mineral explorado . A intenção é chegar a 4% do lucro bruto. A iniciativa têm como principais interessados os governos do Pará e de Minas Gerais, além de ser apoiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela Associação Mineira de Municípios (AMM). O que inicialmente pode nos causar estranheza é o fato dos caciques do PSDB mineiro estarem à frente dessa campanha, isso porque ambos contam com calorosas contribuições das mineradoras, leia-se Vale, para suas candidaturas. Por isso a questão merece algumas considerações. Primeiramente, é necessário te...

A REPRIMARIZAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA E O DESENVOLVIMENTO DE FÔLEGO CURTO

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Após bastante tempo sem postar, retomemos as atividades blogueiras. Gostaria de destacar neste texto um fenômeno que vem se performando frente aos nossos olhos e mostra uma das limitações do projeto minerador: o seu desenvolvimento de fôlego curto.  A expansão da atividade mineradora é visível quando analisamos a alta dos preços ocorridas na primeira década desse século. Podemos notar que o preço da tonelada do minério de ferro foi aumentando continuamente de janeiro de 2002 até janeiro de 2010, para então diminuir no começo de 2012. Mesmo com a recente queda, essa alta do preço pode ser entendida como causadora da recente expansão da mineração em Minas Gerais, algo que podemos notar ao vivo, por exemplo, numa viagem entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Porém a fugacidade desse desenvolvimento começa a mostrar a sua face.  Na balança comercial de abril de 2009, o MDIC noticiou que a China passou o EUA no posto de principal interlocutor comercial do Brasil. O crescim...

MORTE DAS CASAS DE OURO PRETO

Morte das casas de Ouro Preto Carlos Drummond de Andrade Sobre o tempo, sobre a taipa, a chuva escorre. As paredes que viram morrer os homens, que viram fugir o ouro, que viram finar-se o reino, que viram, reviram, viram, já não vêem. Também morrem. Assim plantadas no outeiro, menos rudes que orgulhosas na sua pobreza branca, azul e rosa e zarcão, ai, pareciam eternas! Não eram. E cai a chuva sobre rótula e portão. Vai-se a rótula crivando como a renda consumida de um vestido funerário. E ruindo se vai a porta. Só a chuva monorrítmica sobre a noite, sobre a história goteja. Morrem as casas. Morrem, severas. É tempo de fatigar-se a matéria por muito servir ao homem, e de o barro dissolver-se. Nem parecia, na serra, que as coisas sempre cambiam de si, em si. Hoje vão-se. O chão começa a chamar as formas estruturadas faz tanto tempo. Convoca-as a serem terra outra vez. Que se incorporem as árvores hoje vigas! Volte o pó a ser pó pelas estradas! A chuva desce, às canadas. Como chove, como ...

MUSEU DA INCONFIDÊNCIA

São palavras no chão E memórias nos autos. As casas inda restam, Os amores, mais não. E restam poucas roupas, Sobrepeliz de pároco E vara de um juiz, Anjos, púrpuras, ecos Macia flor de olvido, Sem aroma governas O tempo ingovernável. Muitos pranteiam. Só. Toda a história é remorso.