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O Ouro e o Estéril na Zona do Ouro Maranhense

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O autor vem realizando pesquisa em Godofredo Viana acerca da mineração de ouro em Aurizona, que é parte de suas funções como pesquisador do Centro Ignácio Rangel de Estudos do Desenvolvimento, centro de pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).
Godofredo Viana é um município maranhense localizado próximo à divisa com o estado do Pará. Com população de 10 mil habitantes, Godofredo Viana detém depósitos auríferos que são explorados por meio do garimpo pelo menos desde o século XIX, principalmente na comunidade de Aurizona, que significa “zona do ouro”. Ao longo do tempo, muitas foram as tentativas de instalar uma mina de ouro em Aurizona, inclusive por exploradores ingleses que buscavam reservas de ouro na região. Entretanto, o garimpo prevaleceu até 2007, quando a empresa canadense Luna Gold conseguiu licença para instalar infraestrutura de exploração no depósito aurífero de Piaba. O Projeto Aurizona entrou em operação…

Deslocamento de Estéril em Aurizona

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Foto: Estrada de acesso à comunidade de Aurizona com plha de estéril ao fundo. Autoria: Tádzio Coelho. Entrevista concedida ao site do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)* acerca do deslocamento de estéril na mina de Aurizona, no interior do Maranhão, onde venho desenvolvendo pesquisa para o Centro Ignácio Rangel de Estudos do Desenvolvimento.
MAM- Recebemos a informação de que houve um vazamento de resíduos de mineração em Aurizona. Em que proporção podemos falar em contaminação já que se trata de uma mineradora às margens de um grande rio do município? Tádzio Coelho – Até agora, pudemos apurar que se trata de desmoronamento de pilhas de estéril, ocorrido no domingo (4 de novembro) devido à vibração causada por dinamites. A dinamitação é utilizada no desmonte de rochas dentro da área de mina. Como existem pilhas de estéril próximas à comunidade de Aurizona e à estrada de acesso, o estéril bloqueou a estrada que liga a comunidade à cidade de Godofredo Viana. O estéril che…

Mineração e Eleições para Presidente: Quais são as propostas dos candidatos para a atividade mineradora?

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A atividade mineradora passou por intensa expansão no Brasil durante os anos 2000. Desde então, o minério de ferro está entre os três principais produtos de exportação da economia brasileira. Os possíveis efeitos da atividade, como os recentes crimes socioambientais da Norsk Hydro, em Barcarena, e da Samarco, na bacia do rio Doce, ressaltam a importância do debate acerca da mineração envolvendo toda a sociedade brasileira. Com a proximidade das eleições, foram publicados os programas de governo dos candidatos à presidência e este é, ou deveria ser um dos temas destacados na discussão entre os candidatos. O objetivo deste texto é analisar os planos de governo dos candidatos à presidência destacando como cada candidato propõe lidar com a atividade mineradora. Antes, vale explicar que os planos de governo apresentados são diretrizes gerais para a atuação dos candidatos, caso eleitos. Por isso o conteúdo dos programas é resumido e tenta abordar temas diversos e complexos que acabam não s…

Governo Temer e o Morro Velho da escravidão

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“Em 1992, o serviço era tipo serviço escravo mesmo. Não tinha maquinário, não tinha equipamento de segurança. Entrava e trabalhava com perfuração seca mesmo, no braço mesmo, onde se expunha a pegar ´poeira`[2].”[3] O relato supracitado faz parte do documentário “Tantos e Quantos: os mineiros do Morro Velho” e pertence a um ex-trabalhador da mineração. O documentário conta a história dos ex-trabalhadores da Mina de Morro Velho, atualmente pertencente à mineradora Anglo Gold Ashanti. Localizadas em Nova Lima (MG) e região, as Minas de Morro Velho têm estreito vínculo com o trabalho escravo. A extração de ouro começou no primeiro quarto do século XVIII e passou quase todo o século XIX nas mãos da empresa inglesa Saint John Del Rey Mining Company. Durante o século XIX, a exploração do trabalho escravo foi bastante lucrativo para o capital inglês, obtendo o maior lucro dentre todas as empresas inglesas no Brasil e uma dos maiores na América Latina (LIBBY, 1984). O trabalho escravo foi empr…

PROGRAMA GRANDE CARAJÁS: TRINTA ANOS DE DESENVOLVIMENTO FRUSTRADO

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O Ibase acaba de lançar estudo realizado por mim sobre os trinta anos de Carajás. A publicação Projeto Grande Carajás: trinta anos de desenvolvimento frustrado interpreta o sentido de Carajás em meio à recente trajetória de desenvolvimento brasileira. Abordamos as discussões sobre essa trajetória de desenvolvimento, as transformações pelas quais passou a Vale, o discurso do desenvolvimento pela mineração e os impactos socioambientais e econômicos decorrentes da mineração e, em específico, de Carajás. A publicação está disponível para consulta e download.

A VALE TEM REVOGADOS OS SEUS DIREITOS MINERÁRIOS NA SERRA DE SIMANDOU

Vejam só, a empresa que serve de paradigma da boa gestão acaba de perder uma reserva de minério de ferro de US$ 2,5 bilhões. A Vale, que para muitos é o exemplo de como a privatização melhora o desempenho da empresa, teve revogados pelo Governo da Guiné seus direitos minerários de metade da Serra de Simandou. A outra metade pertence à Rio Tinto. De acordo com um relatório do Governo da Guiné, eleito democraticamente após a venda da mina, e do FBI o processo da venda foi feito por meio de propinas e presentes, como miniaturas de ouro de carros de F1 e relógios de ouro adornados por diamantes. O comprador foi a BSGR, empresa que pertencia ao bilionário Benny Steinmetz, hoje sócio da Vale. Steinmetz pagou US$ 170 milhões e, após dois anos, vendeu pra Vale 51% dos ativos de sua empresa por US$ 2,5 bilhões. Um negócio da China! Mas a história melhora, o bilionário Benny Steinmetz é acusado por várias instituições internacionais de ter se enriquecido através da comercialização dos famosos …

CELSO FURTADO E O EXCEDENTE PETROLÍFERO

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Nas palavras de Francisco de Oliveira, Celso Furtado foi um dos demiurgos do Brasil. A contribuição de Furtado não se restringe apenas ao campo da economia, vai além chegando na sociologia, ciência política, demografia e história. Na década de 1950, em um missão da CEPAL, Furtado vai à Venezuela para fazer uma análise da incipiente indústria petrolífera venezuelana. Como resultado dessa viagem, Furtado escreve um relatório incluído numa recente publicação da editora Contraponto, “Ensaios sobre a Venezuela: subdesenvolvimento com abundância de divisas”. A análise pioneira de Furtado levanta uma série de pontos importantes para se pensar o dilema dos países com grandes reservas de petróleo.
Para Furtado, em ideia inspirada em Lewis, um dos limites que impede a elevação da média salarial numa economia subdesenvolvida é a abundância de excedente de mão de obra. Em momentos de alta cíclica nos preços das matérias-primas, o excedente tende a se concentrar por falta de ação do Estado e prin…