sexta-feira, 16 de abril de 2010

EM DEFESA DO TRECHO RIO ACIMA/ITABIRITO DA ESTRADA REAL,

Giuseppe Gabriel Persichini Moll


A comunidade ambientalista e histórico-cultural de Minas Gerais alerta para a ameaça de asfaltamento do único trecho intacto da Estrada Real, na rodovia MG-030, entre Rio Acima e Itabirito. Indo de Belo Horizonte a Nova Lima, passando por Rio Acima e por Itabirito – um caminho com mais de 200 anos, ligando Minas Gerais ao Rio de Janeiro e que serviu de norte para bandeirantes, faiscadores, mineradores e para a Tropa Real – a Estrada Real corre o sério risco de perder seus últimos vestígios. A denúncia é dos ambientalistas da Associação Ecológica de Moradores do Entorno da rodovia MG-30. Para reverter este equivocado asfaltamento, os defensores do meio ambiente e da história e da cultura do Brasil colonial fizeram um anteprojeto propondo que a estrada seja calçada com pedra pé-de-moleque ou pedra de mão, apoiados no argumento de que esta medida dará maior autenticidade ao local e possibilitará permeabilidade e condições propícias a plantas, animais e pássaros conviverem harmoniosamente no meio ambiente.

História

Esta antiga estrada tem 23 km encascalhados e salpicados com pedras do tempo colonial e foi feita com cortes radicais nos contrafortes da serra e da mata protegida na APA/SUL. Porém, mineradoras e políticos de Rio Acima e Itabirito, demonstrando insensibilidade, ignorância da história e desrespeito ao meio ambiente, querem o asfaltamento desta via, com o argumento do progresso a qualquer custo. Isso poderá acabar com o ecossistema da região, fazendo com que aumente o perigo de acidentes automobilísticos, tendo em vista o trecho ser cheio de curvas e precipícios. Os moradores e pequenos sitiantes do entorno da Rodovia (pelo menos os mais conscientes), os ambientalistas e vereadores de Rio Acima, Itabirito, Nova Lima, Raposos e BH, aliados a associações sócio-ambientais, apelam ao DER, IBAMA, SEMAD (IEF, FEAM, IGAM, COPAM) e às secretarias de Cultura e de Turismo para que se unam contra a ameaça de mais este crime ecológico, de consequências irreversíveis.

Decisão Ecológica

Os sistemas de calçamento ecologicamente corretos são mais indicados para pavimentos, pois preservam o meio ambiente, sem agredi-lo. O argumento do calçamento com pedra pé-de-moleque ou pedra-de-mão, além da vantagem ambiental, vê-se fortalecido o aspecto social, pois poderá ser feito empregando material e mão-de-obra locais, podendo ainda incentivar a adoção do exemplo em outras cidades do entorno das estradas vicinais.

Trata-se de uma alternativa considerada útil e ambientalmente correta por administradores públicos e privada, projetistas, ambientalistas, consultores e empreiteiros, ou por pessoas envolvidas na escolha dos tipos de pavimentos a serem utilizados nos mais diversos campos de
aplicação.

Ciclo Hidrológico

A escassez de água no meio ambiente e as formas de garantir o melhor aproveitamento desse recurso são alguns dos temas mais discutidos hoje, em nível global. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) afirmou que, nos próximos cinqüenta anos, os problemas relacionados à falta de água afetarão todas as pessoas no mundo. Uma das causas é a ação predatória do homem, que continua a intervir no ciclo hidrológico, o que contribui para a intensificação dos desastres naturais, seja pelo desmatamento ou pela impermeabilização do solo, através da pavimentação asfáltica de grandes áreas. Ao longo dos anos, muitos fatores vêm modificando as exigências da gestão municipal, impondo a busca de novas soluções que sejam, ao mesmo tempo, práticas e capazes de agregar outros valores para a economia das cidades e para a vida dos contribuintes. Nesse sentido, alguns municípios fizeram alterações na Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo do Município, aprovando mudanças que vão ao encontro das necessidades da sociedade e da cidade, adaptando-se à dinâmica urbana e às conseqüências do crescimento. O calçamento com pé-de-moleque, ou com pedra-de-mão permite a perfeita drenagem das águas de chuva, ao mesmo tempo que evita a
impermeabilização do solo, pois as juntas entre as pedras possibilitam a
infiltração de uma parcela das águas incidentes, amenizando assim o impacto ambiental. Portanto, são considerados pisos ecologicamente corretos.

11 comentários:

ecologistas disse...

“HÁ MAIS MISTÉRIOS ENTRE O CÉU E TERRA DO QUE PODE EXPLICAR A NOSSA VÃ IMPRENSA"

ecologistas disse...

Rio Acima enfrenta seus problemas ambientais mas a Prefeitura “nada”

Falta de conscientização suja a beleza de Rio Acima

Destino de belorizontinos nos fins de semana, Rio Acima é famosa pelas belas cachoeiras. Mas também está ficando famosa pelo descaso com que muitos turistas, moradores e sitiantes tratam a natureza. São poucas as quedas d’ água que ainda estão limpas. A cidade, com cerca d Oito mil habitantes, tem vários córregos importantes para abastecer a Estação de Captação de água da Copasa em Bela Fama, distrito de Nova Lima e que abastece Belo Horizonte.
Agora agravado pela ameaça de se destruir a serra do Gandarela, onde estão as principais nascentes tributárias do Rio das Velhas.

Os principais problemas ambientais da cidade, além do turismo predatório, são o lixo e o esgoto.
“Falta consciência das pessoas que sujam a água por bobeira, soltam lixo em qualquer lugar”, conta Adenázia da Rocha, moradora local.
Atualmente, o lixo vai para o lixo do Galo em Nova Lima. Há um galpão em que o material reciclável possa ser separado. Lá ele será prensado e medido para que seja vendido para usinas de reciclagem. A proposta do município é destinar para o aterro sanitário, que está sendo construção em Nova Lima, apenas o lixo orgânico, que não pode ser reciclado. Assim, ao invés de três caminhões de lixo por dia, a prefeitura só mandaria um para o aterro.

Outra questão que preocupa em Rio Acima é o esgoto. “A realidade é que o município lança o esgoto ‘in natura’ no córrego do Mingu”. Existe um projeto para a instalação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), elaborado gratuitamente há anos pelo Projeto Manuelzão através do engenheiro Carlos Rebelo. Este projeto está perdido nas gavetas da Prefeitura. À época, o custo da estação seria de 98 mil reais. A Copasa prometeu fornecer os tubos de PVC para os esgotos, mas, até o momento, faltou decisão política para viabilizar a parceria no município. Agora, será feito como experiência o tratamento do esgoto que atualmente cai no córrego do Braúna, no bairro Vila Duarte, mais afastado do centro de Rio Acima. A partir dos resultados obtidos nessa etapa, a prefeitura disse há quatro anos que buscará mais recursos para uma rede de esgoto em todo município. Não se sabe quando.

ecologistas disse...

Rio Acima enfrenta seus problemas ambientais mas a Prefeitura “nada”

Falta de conscientização suja a beleza de Rio Acima

Destino de belorizontinos nos fins de semana, Rio Acima é famosa pelas belas cachoeiras. Mas também está ficando famosa pelo descaso com que muitos turistas, moradores e sitiantes tratam a natureza. São poucas as quedas d’ água que ainda estão limpas. A cidade, com cerca d Oito mil habitantes, tem vários córregos importantes para abastecer a Estação de Captação de água da Copasa em Bela Fama, distrito de Nova Lima e que abastece Belo Horizonte.
Agora agravado pela ameaça de se destruir a serra do Gandarela, onde estão as principais nascentes tributárias do Rio das Velhas.

Os principais problemas ambientais da cidade, além do turismo predatório, são o lixo e o esgoto.
“Falta consciência das pessoas que sujam a água por bobeira, soltam lixo em qualquer lugar”, conta Adenázia da Rocha, moradora local.
Atualmente, o lixo vai para o lixo do Galo em Nova Lima. Há um galpão em que o material reciclável possa ser separado. Lá ele será prensado e medido para que seja vendido para usinas de reciclagem. A proposta do município é destinar para o aterro sanitário, que está sendo construção em Nova Lima, apenas o lixo orgânico, que não pode ser reciclado. Assim, ao invés de três caminhões de lixo por dia, a prefeitura só mandaria um para o aterro.

Outra questão que preocupa em Rio Acima é o esgoto. “A realidade é que o município lança o esgoto ‘in natura’ no córrego do Mingu”. Existe um projeto para a instalação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), elaborado gratuitamente há anos pelo Projeto Manuelzão através do engenheiro Carlos Rebelo. Este projeto está perdido nas gavetas da Prefeitura. À época, o custo da estação seria de 98 mil reais. A Copasa prometeu fornecer os tubos de PVC para os esgotos, mas, até o momento, faltou decisão política para viabilizar a parceria no município. Agora, será feito como experiência o tratamento do esgoto que atualmente cai no córrego do Braúna, no bairro Vila Duarte, mais afastado do centro de Rio Acima. A partir dos resultados obtidos nessa etapa, a prefeitura disse há quatro anos que buscará mais recursos para uma rede de esgoto em todo município. Não se sabe quando.

ecologistas disse...

Atenção...
O texto a seguir é de uma moça que está add no site RIO DAS VELHAS.
Ela fala que o pai dela foi "convidado" pela VALE para ser convencido das "belezas demagógicas". Ele é uma pessoa esclarecida, ex sargento do Corpo d e Bombeiros
Faça você mesmo a avaliação do absurdo de assédio moral da Empresa.
E NINGUÉM FAZ NADA?
Vamos levar o assunto para o Ministério Público?
____Giuseppe___________________________________________________

Assunto:Barragem de rejeitos

"Bom dia, A Empresa Vale está mobilizando várias pessoas das
associações de bairros de Raposos para fazerem reuniões sobre o
"projeto Apolo". Ontem fizeram um passeio até a empresa de Águas
Claras levando vários líderes de bairro e apresentaram propostas que
foram bem convincentes aos convidados.
Estou ciente disso, pois meu pai foi um dos convidados e chegou em
casa achando super normal o projeto. Ele já até marcou uma reunião de
bairro na casa dele a pedido da Vale.
Gostaria, se possível, que me desse informações e dados, para que eu
possa apresentar nessa reunião, para acordar essa população Cega pelas
propostas mentirosas da Vale.
Estive olhando no google maps e vi que as obras já começaram e que o
estrago parece ser maior do que pensávamos. aguardo resposta sua,
obrigada.
Gislene Martins"
Rede Rio das Velhas

Tádzio Peters Coelho disse...

Podemos fazer algo. Esotu consultando alguns amigos especialistas no assunto e já te retorno.
Obrigado pela participação!

ovatsug disse...

Ecologista estou fazendo um diagnostico sobre Rio Acima no que diz respeito ao Sist. de abastecimento de água, tratamento de esgoto, coleta seletiva e drenagem. Queria saber se vc tem informações sobre estas áreas para enriquecer meu trabalho.

ecologistas disse...

Caros amigos,

O Presidente do IBAMA se demitiu ontem sob forte pressão para permitir a construção do desastroso Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, que iria devastar uma área imensa da Amazônia e expulsar milhares de pessoas. Proteja a Amazônia seus povos e suas espécies — assine a petição para Presidente Dilma contra a barragem e pedindo eficiência energética:

O Presidente do IBAMA se demitiu ontem devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.

ecologistas disse...

A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história. Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar. Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, quando conseguirmos 150.000 assinaturas:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Abelardo Bayama Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar 100.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Com esperança

Ben, Graziela, Alice, Ricken, Rewan e toda a equipe da Avaaz

Jurandir Persichini Cunha disse...

s 21:06 em 1 setembro 2012, Giuseppe Molll disse...
Mineradoras extraem riquezas, deixando passivos em Minas Gerais
O texto a seguir é de autoria Oswaldo Sevá, engenheiro mecânico, doutor em geografia, docente da Universidade Estadual de Campinas, de São Paulo, na área de energia, e no doutorado em ciências sociais. Foi escrito em maio do ano passado e apresentado como parte do projeto “Mapeamento dos Conflitos Sócioambientais em Minas Gerais”, desenvolvido pela equipe do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais GESTA, do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da a Universidade Federal de Minas Gerais.

O texto pode ser consultado em http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/?pg=txtAnalitico. Ou na página do professor Sevá.

Por limitação de espaço, selecionei trechos bem adequados, fazendo ajustes para uma leitura mais fluente do documento. Sugerimos, porém, a consulta à fonte, que é preciosa, por sua descrição didática e crítica do processo de produção mineral em Minas Gerais, com lições a fornecer a todas as áreas onde as mineradoras, sobretudo a Vale, atuam.
. O outro lado da riqueza.

* Mineração fatura alto e cidades pagam caro
Municípios mineiros responsáveis por 60% da produção nacional da Vale do Rio Doce sofrem com poluição e elevada taxa de suicídio

* Patrimônio cultural ameaçado
Cidades históricas, como Catas Altas, vivem sob a pressão da mineração, que traz riscos ambientais e até aumento da criminalidade na região. Vale do Rio Doce nega problemas

* Ar tão poluído como o da capital paulista
Pesquisa da USP conclui que a extração de minério de ferro produz uma poeira que causa ou agrava doenças respiratórias

* Tentativa de suicídio também aumenta

Tais manchetes e verbetes não estão em nenhum panfleto de esquerda ou de organizações ambientalistas ditas radicais, nem mesmo em alguma publicação de oposição ao governo estadual Aécio Neves/Antonio Anastasia, então recém eleito com grande aprovação para um segundo mandato. E sim num jornal tradicional, considerado o mais importante de Belo Horizonte, O Estado de Minas, que publicou, em 17 de dezembro de 2006, na seção Economia um caderno especial intitulado O outro lado da riqueza, de autoria do enviado especial Bernardino Furtado. O caderno foi editado para registrar com a devida ênfase os dez anos da privatização da todo-poderosa Companhia Vale do Rio Doce, a “Vale”.

A estatal da mineração, uma antiga empresa estrangeira (Itabira Iron Minig Co.) federalizada nos anos 1940, que havia se tornado ao longo de sessenta anos uma das maiores do mundo, foi leiloada a “preço de banana” pelo governo federal Fernando Henrique Cardoso / Marco Maciel em 1997. Os novos donos eram a corporação japonesa Mitsui e o banco Bradesco, além de fundos de pensão de funcionários de bancos estatais brasileiros.

A megaempresa vivera os últimos anos sob a batuta do mineiro Eliezer Baptista e depois do também mineiro Joel Rennó, passou a ser comandada por mais de dez anos, pelo impetuoso executivo Roger Agnelli, do Bradesco, até ser substituído, por causa de um enfrentamento,

Jurandir Persichini Cunha disse...

s 21:06 em 1 setembro 2012, Giuseppe Molll disse...
Mineradoras extraem riquezas, deixando passivos em Minas Gerais
O texto a seguir é de autoria Oswaldo Sevá, engenheiro mecânico, doutor em geografia, docente da Universidade Estadual de Campinas, de São Paulo, na área de energia, e no doutorado em ciências sociais. Foi escrito em maio do ano passado e apresentado como parte do projeto “Mapeamento dos Conflitos Sócioambientais em Minas Gerais”, desenvolvido pela equipe do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais GESTA, do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da a Universidade Federal de Minas Gerais.

O texto pode ser consultado em http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/?pg=txtAnalitico. Ou na página do professor Sevá.

Por limitação de espaço, selecionei trechos bem adequados, fazendo ajustes para uma leitura mais fluente do documento. Sugerimos, porém, a consulta à fonte, que é preciosa, por sua descrição didática e crítica do processo de produção mineral em Minas Gerais, com lições a fornecer a todas as áreas onde as mineradoras, sobretudo a Vale, atuam.
. O outro lado da riqueza.

* Mineração fatura alto e cidades pagam caro
Municípios mineiros responsáveis por 60% da produção nacional da Vale do Rio Doce sofrem com poluição e elevada taxa de suicídio

* Patrimônio cultural ameaçado
Cidades históricas, como Catas Altas, vivem sob a pressão da mineração, que traz riscos ambientais e até aumento da criminalidade na região. Vale do Rio Doce nega problemas

* Ar tão poluído como o da capital paulista
Pesquisa da USP conclui que a extração de minério de ferro produz uma poeira que causa ou agrava doenças respiratórias

* Tentativa de suicídio também aumenta

Tais manchetes e verbetes não estão em nenhum panfleto de esquerda ou de organizações ambientalistas ditas radicais, nem mesmo em alguma publicação de oposição ao governo estadual Aécio Neves/Antonio Anastasia, então recém eleito com grande aprovação para um segundo mandato. E sim num jornal tradicional, considerado o mais importante de Belo Horizonte, O Estado de Minas, que publicou, em 17 de dezembro de 2006, na seção Economia um caderno especial intitulado O outro lado da riqueza, de autoria do enviado especial Bernardino Furtado. O caderno foi editado para registrar com a devida ênfase os dez anos da privatização da todo-poderosa Companhia Vale do Rio Doce, a “Vale”.

A estatal da mineração, uma antiga empresa estrangeira (Itabira Iron Minig Co.) federalizada nos anos 1940, que havia se tornado ao longo de sessenta anos uma das maiores do mundo, foi leiloada a “preço de banana” pelo governo federal Fernando Henrique Cardoso / Marco Maciel em 1997. Os novos donos eram a corporação japonesa Mitsui e o banco Bradesco, além de fundos de pensão de funcionários de bancos estatais brasileiros.

A megaempresa vivera os últimos anos sob a batuta do mineiro Eliezer Baptista e depois do também mineiro Joel Rennó, passou a ser comandada por mais de dez anos, pelo impetuoso executivo Roger Agnelli, do Bradesco, até ser substituído, por causa de um enfrentamento,

Jurandir Persichini Cunha disse...

ESTRADA REAL
Estrada de Itabirito a Rio Acima terá calçamento ao custo de R$ 57 milhões
Raquel RamosHoje em Dia/Record

Blocos não impermeabilizam o solo, são resistentes ao tráfego pesado e permitem maior velocidade
O cenário de um dos trechos mais conservados da Estrada Real está prestes a mudar. Quase 24 quilômetros do caminho cascalhado que liga Rio Acima a Itabirito receberá um “calçamento ecológico”. A justificativa é levar desenvolvimento ao percurso que, por séculos, foi rota de bandeirantes, tropeiros e mineradores.

O edital foi lançado em fevereiro e a empresa responsável pela obra já foi escolhida. O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) aguarda apenas a conclusão do licenciamento ambiental para dar início às intervenções, que devem durar 24 meses. O empreendimento está orçado em R$ 57 milhões.
Polêmica
As obras põem fim a uma discussão que, por décadas, dividiu moradores. Enquanto mineradoras e comerciantes alegavam que o asfaltamento do trecho da MG-030 traria progresso às cidades, ambientalistas temiam o impacto ambiental da mudança.

“Essa parte da MG-030 realmente é muito conservada, com pontos remanescentes de Mata Atlântica. Vamos utilizar o bloco intertravado de concreto, que é o revestimento ecologicamente mais adequado”, afirma Marcos Frade, diretor de infraestrutura do DER.
Segundo ele, o calçamento é resistente ao tráfego pesado e permite aos motoristas – que hoje são obrigados a dirigir devagar na estrada – aumentar a velocidade.
As vantagens do material escolhido para pavimentar o trecho são reconhecidas por membros da Associação de Moradores e Sitiantes Ecológicos do Entorno da MG-030, principais opositores do asfaltamento. Segundo o jornalista Jurandir Persichini, que faz parte do grupo, o solo continua permeável após receber revestimento e não há superaquecimento.
Mais do que proteger o meio ambiente, afirma, o calçamento ecológico preserva um pouco da história e da cultura de uma região simbólica. “O asfalto de concreto descaracterizaria muito aquela área. Já os blocos permitem que seja feita uma combinação com os seixos rolados (pedra arredondada e superfície lisa) que existem em algumas áreas, mantendo um pouco do que é original ali”.
A preocupação também está no projeto da obra, que prevê curvas mais acentuadas e rampas mais fortes a fim de aproveitar, ao máximo, o traçado do caminho já existente.
comentário
Não entendo o porque de ser contra o calçamento da estrada, o problema sempre foi a poeira para quem mora ou transita na estrada! Tem gente que quer sem contra por ser, vai procurar outra causa, tem muitas, saúde, transporte público, segurança, etc.
Adriano Duarte