quinta-feira, 8 de julho de 2010

O OURO DE MINAS GERAIS

(À memória do negro escravo das minerações)

José Rodrigues de Sousa


Cataram dos rios e ribeirões o fácil ouro
que desceu de enxurrada das montanhas
e depois, com castigo, ranger de dentes e choro
investiram na rocha escavando-lhe as entranhas.

Abriram uma inóspita e profunda gruta,
e num heroísmo sem precedentes
escavaram com trabalho e força bruta,
entorpecidos pelo sonho de tesouros ali existentes.

O travejamento que escoava as paredes e o teto,
qual uma imensa e subterrânea floresta,
e os heróis da cor da noite tratados como desafeto
eram obrigados a fazer do trabalho festa.

O calor, a falta de ar, a visão à luz de tochas,
os corpos seminus suspensos por correntes,
quebrando sem descanso as rochas,
na esperança de encontrar o ouro que os fizesse contentes.

E cantando, em coro, selvagem ária africana,
faziam ritmo com o golpe da talhadeira e do martelo,
e sonhando com ouro da terra americana,
cada sulco da rocha era uma golfada de sangue amarelo.

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