segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CONTOS DO CAPITALISMO PERIFÉRICO I



A classe média do Capitalismo Periférico está objetivamente mais próxima às classes populares, por suas condições materiais, porém almeja ter o consumo luxuoso da elite que, por sua vez, baseia-se nos modos de vida dos países centrais. Ela tem uma potencialidade progressista que geralmente não se concretiza. Surge no Brasil com os investimentos em infra-estrutura da virada do século XIX para o XX e se expande com a industrialização da primeira metade do século XX. Em geral, teme o radicalismo das lutas populares, principalmente socialistas, apesar de que tenha fornecido inúmeros integrantes para o campo da esquerda ao longo da História, justamente por estar tão próxima do povo em seu cotidiano. Ela também se beneficia com os investimentos estrangeiros por servir de mão de obra especializada, porém seus auges de crescimento acontecem quando o Estado Nacional dos países periféricos interfere decisivamente na economia. Compreende o mundo à sua própria maneira, não é algo por demais complexo. O sucesso ou fracasso profissional (e em algo intitulado “projeto de vida”) das pessoas é resultado de seus esforços, da vontade e perseverança de cada um. Assim, naturaliza o fato que muitos de seus conterrâneos estejam jogados à miséria. Algumas vezes se sensibiliza com algo ocorrido em seu cotidiano, por alguns momentos, pensa que há algo de errado com o mundo, mas logo naturaliza o acontecido voltando aos seus ensinados moldes de pensamento. Os costumes e tradições das massas de seu país não lhe interessam, pior ainda, os vê como sinal de atraso, primitividade dos trópicos, “bons mesmo são os europeus e norte-americanos que oferecem uma cultura avançada”. Atualmente, no Brasil, está imersa num conservadorismo que se aproxima do fascismo. Tenta de todas as formas se diferenciar das classes populares, seja por meio de costumes ou do consumo. É nela que a ideologia do individualismo se aplica com toda a força. A pressão do mercado de trabalho é o grande limitador de suas perspectivas progressistas, ou, até mesmo, revolucionárias.

4 comentários:

Renata de Oliveira disse...

Como sempre,muito bom.
Incrível achei foi a coincidência entre o seu post de hoje e o do Thiago Beleza, no Memória Individual, "A nova elite e o idealismo de fundo de quintal".

Dê uma olhada, acho que vc vai gostar do blog, como um todo. http://memoriaindividual.wordpress.com/

Seja bem vindo de volta a BH!

Abs

Renata

Tádzio Peters Coelho disse...

Muito obrigado, Renata! Fico muito feliz que alguém como você acompanhe o Guayabera Mineira. Aliás, li seu último texto, escrever sem assunto, muito bom! E por coincidência, também li em seguida um texto sem assunto (que na verdade, ambos tem muito assunto) neste blog, recomendo-o: http://massote.pro.br/2010/12/falta-de-assunto-carlos-alberto-de-barros-santos/

Acho que você ainda demorará um tempo até compreender melhor as transformações atuais da sua vida, como se diz, você está no calor dos acontecimentos. Coisas novas nos refrescam a mente e nos dão vida. Boa sorte e inté!

Rodolfo disse...

o/ Muito bom, custei a entender cara!
Estou muito fraco nisso, vou visitar o blog mais vezes...

Tádzio Peters Coelho disse...

Rodolfo! É um imenso prazer ter você e a Rafaely por aqui! Se sintam à vontade para participarem do blog. Abraço para todos de Raposos!