sábado, 2 de abril de 2011

PESO DOS SÉCULOS

É como se andasse
por caminhos de terra
entre densas brumas
em um lugar esquecido

Por lá, donde o tempo passou
e como se ouvisse
o canto oprimido das senzalas
de vozes graves

Os séculos me observam
num olhar fuzilante
compreendendo o que somos
relutando pelo que seremos

Numa fria manhã
entre barrancos e cercas
na azulada neblina
a voz esquecida me chama

São lamentos mineiros
das montanhas que engoliram homens
de dissabores humanos
traições e sussuros

Num passo lento
vejo a escrava-rainha
os cônegos e poetas
o alferes

Esperam que algo aconteça
que os redima de seus erros
repetido durante séculos
por gerações e mais gerações

Me encaminho para junto deles
até que um dia
o sol imponha sua luz
sobre a nossa duradoura desgraça

Pesados séculos escoram-se em nossos ombros
O moderno é antigo
A tragédia que se repete
em banquetes suntuosos
de homens volúveis.

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