segunda-feira, 31 de maio de 2010

A SUPEREXPLORAÇÃO DO SER HUMANO



"A cólera é o úlitmo reduto da humanidade do colonizado".
"O europeu só pode fazer-se homem fabricando escravos e monstros".
"Eramos os sujeitos da história e atualmente somos os objetos. Inverteu-se a correlação de forças, a descolonização está em curso". (Jean Paul Sartre, prefácio do livvro "Os Condenados da Terra").

Como viver com R$ 510,00 por mês? Esta é a pergunta que se colocam 30% dos brasileiros. Ainda 65% dos brasileiros devem se fazer a pergunta como viver com até dois salários mínimos por mês. Essa pergunta gera outra: os brasileiros, vivemos ou sorbrevivemos? R$ 510,00 é o valor do salário mínimo no Brasil. Historicamente, o salário mínimo foi conquistado pelas lutas dos trabalhadores. Ele intenciona prover o mínimo de sustento para a mão de obra. Economicamente, ele cumpre a função de fomentar a realização da mercadoria, isso é, de criar mercado consumidor para as mercadorias dos capitalistas. Segundo Karl Marx, do valor total produzido pelo trabalhador, o burguês devolve ao operário o mínimo suficiente para manter este vivo, o restante do valor é apropriado pelo burguês, esta é a fonte do lucro. O salário mínimo brasileiro é irrisório mesmo o comparando com o dos países vizinhos. De acordo com artigo do Le Monde de maio, nosso salário mínimo está em oitavo lugar na América do Sul, à frente apenas de Uruguai e Bolívia. Em relação aos países do capitalismo central, essa diferença se torna ainda maior. Mas essas diferenças encontram explicação na análise da economia mundial.
Afinal, por queo salário mínimo é tão mínimo? A produção interna brasileira, como produção dependente, é voltada, majoritariamente, para a exportação. Isso, em parte, retira a necessidade do trabalhador brasileiro ser parte da realização da mercadoria, isso é, o mercado consumidor não é interno. Além disso, a burguesia brasileira só consegue produzir à nível de mercado mundial tendo como aliado o capital internacional, graças à falta de conhecimento tecnológico e de capital de investimento. Assim, a taxa de valor retirada do trabalhador brasileiro é feita pela classe burguesa nacional em associação com o capital externo, o que torna essa taxa ainda maior, aumentando a exploração e diminuindo o salário. Relembro que isso só é possível porque o locus do consumo não se encontra em solo brasileiro.
O sociólogo mineiro Ruy Mauro Marini, percebendo que a exploração do trabalho nos países dependentes (o chamado “terceiro mundo”) se dá de maneira ainda mais intensa, e a cunhou de superexploração do trabalho. Com isso, o salário mínimo nos países dependentes, não consegue prover o mínimo, a simples reprodução material da mão de obra. Isso funciona também como limite para a industrialização brasileira, visto que estes são consumidores apenas da indústria de base, e não da indústria de ponta. Ainda na edição do Le Monde de maio, há um artigo mostrando que o salário mínimo, para prover realmente o mínimo ao trabalhador garantido por direito na Constituição Federal, deve ser de R$ 2.100,00, valor mais de quatro vezes maior que o atual.
A alta taxa de desemprego. incentivada pelo êxodo rural, pressiona ainda mais os salários para baixo, as inovações tecnológicas diminuem o número de empregos, dando as cores finais do trágico quadro da dependência, que permite ao capitalista superexplorar o ser humano. Este contexto é causador das altas taxas de violência, desnutrição, subnutrição, analfabetismo funcional, indigência e miséria.
Há uma gigantesca transferência de valores dos países periféricos para os países centrais do capitalismo que ligam interinamente a pobreza dos subdesenvolvidos à riqueza dos desenvolvidos. Esse é o capitalismo mundial, a produção é social, mas a acumulação dos lucros é individual, e mais ainda, regional. É a pobreza de nossos povos ligada contraditoriamente à riqueza da elite colonial e da elite metropolitana.

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