segunda-feira, 14 de junho de 2010

ECOLOGIA, CAPITAL E SOCIALISMO



"Se a história me escapa, isto não decorre do fato que não a faço; decorre do fato que outro também a faz". Jean Paul Sartre.

Este texto é dirigido, em geral, à todos que tem algum tipo de preocupação com o futuro de nossa sociedade, e, em particular, àqueles inquietos com o destino do meio ambiente, o que na verdade são a mesma preocupação, meio ambiente e sociedade.
A luta pela preservação da natureza é, a priori, uma luta contra o capital- entendendo este como base de toda e qualquer sociedade capitalista. Isso porque uma sociedade baseada na produção de capital é caracterizada pela busca incessante por lucro, não importando em que condições este lucro é auferido. Devemos compreender que o capital é, também, um tipo de lógica, a lógica do capital. Existem vários tipos de racionalidade em relação a objetivos. Na lógica do capital o racional é conseguir cada vez maiores taxas de lucro, mesmo que para isso seja necessário explorar outro ser humano ou destruir o meio ambiente, pois no fim há a recompensa financeira. O que essa lógica não deixa claro é que, a médio prazo, ela nos empurra para a barbárie. Nunca se esteve tão próximo de acabarmos com a humanidade. Por isso, contrária à lógica do capital, existe a lógica humana. Esta lógica é pautada pelo desenvolvimento do ser humano em todas suas potencialidades, entendo o ser humano como parte inerente do meio ambiente, onde o desenvolvimento de um é o desenvolvimento do outro. Muito claramente, a lógica do ser humano se encontra subordinada à lógica do capital.
Muito se fala, hoje em dia, em preservação do meio ambiente. Mas o que os ambientalistas não percebem (alguns, propositadamente) é que esta luta é inócua se ela não for empreendida em termos extremos contra o Capitalismo. E neste sentido, é, também, uma luta de classes, visto que os grandes beneficiados com a exploração do meio ambiente são as classes altas, e que, concretamente, seus interesses são representativos do capital, e, por isso, contraditórios aos da grande maioria da população- lembrando que a produção é coletiva e a apropriação de resultados é individual.
O problema é que a grande maioria das pessoas que querem atuar à favor do meio ambiente não percebem isso, simplesmente, por não compreenderem o funcionamento da organização social capitalista. Muitos advogam à favor de um capitalismo regulado ou um capitalismo humano. Devemos entender que o capitalismo não tem consciência, é uma forma material e concreta de organização e que, aí sim, influencia a nossa própria consciência. Não aceita limites porque uma limitação de lucros o leva à crises, como a que estamos vivenciando.
O contexto atual toma linhas dramáticas quando constatamos a crise dos projetos coletivos de futuro representados pelo socialismo. Com a queda do bloco socialista do leste europeu (o que muitos pesquisadores chamaram de Capitalismo de Estado ao invés de Socialismo), o crescente individualismo e o desenvolvimento do neoliberalismo levou ao nascimento da tese do Fim da História, onde o capitalismo seria a forma de organização social eterna. Obviamente tal tese é ridícula, anti-histórica e ilusória. Cabe a nós restaurarmos a perspectiva de uma sociedade melhor, e a propagação da ideia de uma sociedade justa e igualitária.

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